La Promenade

A vi saindo de um café. Era meu café preferido. A princípio achei que tinha me equivocado, mas sempre tive boa visão. Além do mais, a roupa era algo que eu usaria, com certeza. Fui atrás, ela se sentou na praça que havia na esquina e tirou da bolsa um livro do Herman Hesse, o mesmo que eu estava lendo. Me aproximei e a essa altura já estava tremendo um pouco.

– Oi, com licença.

– Caralho

– Eu sei.

– Minha mãe nunca mencionou que eu tinha uma irmã gêmea.

– Nem a minha. Prazer, me chamo Ant..

-…tonia.

– Caramba, quem é você?

– Essa é uma boa pergunta. Eu moro por aqui. Gosto de ler um pouco, caminhar um pouco, mas principalmente

– dormir

– isso! E

– comer

– claro… então você sou eu?

– é o que parece.

– E quem é você?

– Mulher. Romântica. Rebelde não, mas aventureira

– e pretenciosa.

– hey!

– olhe pelo lado positivo, sabemos rir do nosso próprio ridículo.

– Quer dar uma volta?

E fomos, eu e eu. Era fim de tarde e caminhamos noite adentro pelas ruas desertas do bairro. Ela me falava sobre amor e arte, eu falava sobre a vida, o que é praticamente a mesma coisa. Descobri que não são tantos os temas que me interessam, mas me parecem os mais importantes.

Escolhemos as casas que mais gostávamos e descrevemos como seria a casa ideal, com um grande jardim, os muros cobertos de trepadeiras, paredes de tijolinhos à vista, pequena, mas espaçosa.

Ela era artista, ou quase, como fazia questão de esclarecer. Livre mas entregue ao amor.

Voltei pra casa leve, como depois de uma sessão dupla de psicanálise, dessas bem catárticas. Nunca mais a vi.

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